O texto que se segue foi escrito há muito tempo, contudo, retrata uma viagem que me marcou...

A “terra dos pauzinhos” e “dos olhos em bico” sempre fez parte do imaginário de todos nós.
(…), as malas estavam prontas (...) Entrámos no avião e a odisseia até ao Oriente começava. É claro que existiram as longas horas dentro de aviões e as intermináveis esperas em aeroportos. Mas tudo foi recompensado quando observámos, a partir da janela do avião, uma terra pincelada de tons de verde e azul.
As nossas férias começavam a ser perfeitas… No entanto, fomos confrontados com costumes e maneiras de ser completamente diferentes das ocidentais. E se dissesse que a adaptação foi fácil estaria a mentir. Contudo, todas as dificuldades, que iam desde o comer até ao tirar os sapatos à entrada das casas, foram superadas largamente por tudo o que existiu de bom nesta viagem.
Uma das experiências que mais me agradou foi a visita a um templo budista. Aqui, as portas de uma das salas, que transpiravam tranquilidade e simplicidade, eram feitas de papel. O santuário, contrastando com esta leveza, era rude, com uma arquitectura mais agressiva, com enormes colunas douradas suspensas no ar. Era um local intrigante, capaz de nos transportar até uma outra dimensão, era realmente um espaço cheio de história e de mistérios. O cheiro a incenso andava no ar… e foi aqui, na “casa do buda”, que fizemos meditação: uma experiência nova que nos faz esquecer o mundo à nossa volta.
As visitas a museus foram outro ponto forte da nossa passagem por terras nipónicas. Cada museu tinha um assunto mais interessante que o anterior.
O mais importante de toda esta aventura foi o facto de todos nós termos sido “adoptados” por famílias japonesas, que nos acolheram em suas casas. Assim, deixámos estas nossas vidas ocidentais e entregámo-nos aos pauzinhos, às salas sem sofás, às comidas típicas, às camas no chão, ao Ohayoo gozaimasu (bom dia) de todas as manhãs, ao Sayoonara de todas as despedidas, enfim…, a nossa vida passou a ser regida por costumes japoneses. E tudo isto foi uma fonte de saber e conhecimento que nos permitiu trazer para a Madeira uma bagagem maior, mais rica e com mais amizades.
Era impressionante a calma das gentes e a simplicidade de cada um.
É indescritível tudo o que aprendemos e vimos em 15 dias. Fomos bombardeados com acontecimentos, locais e objectos inimagináveis. As cidades desenvolvidas eram um regalo para os olhos: os prédios gigantescos, milhares de lojas, os comboios de alta velocidade, a multidão… Mas em contraste, existem as típicas casas de madeira plantadas junto aos arrozais, entre as montanhas e o mar. Podíamos sentir o que a natureza tem de mais belo: o chilrear dos pássaros, o vento a lutar com a copa das árvores e a embalar as plantas de arroz…