(...) São inúmeros os exemplos de idosos que vivem sós ou que passam grande parte do dia sem ter com quem falar. E se a saúde física muitas vezes lhes foge, pelas maleitas que lhes atacam o corpo, o que é feita da saúde mental destas pessoas que (sobre)vivem por conta própria?
Há um tempo atrás, (...), perguntei a um simpático casal de idosos como se sentia, ao que me responderam: “velhos”. Como assim, velhos? Será a velhice um peso assim tão grande, capaz de definir aquilo que sentem e os seus problemas? Vi-me imediatamente obrigado a perguntar-lhes se não viam na velhice nenhum benefício. Então e a sabedoria, a experiência? Certamente que houve coisas que mudaram: a imagem no espelho não é a mesma; a energia, se calhar, diminuiu… Mas, em contrapartida, surgiram outras alegrias: os filhos, os netos e, às vezes, os bisnetos. E mesmo assim, a velhice continua a ser uma etapa da vida marginalizada, confinando muitas vezes os idosos à solidão (...)
