No dia-a-dia tenho o privilégio de contactar com um grande número de pessoas, todas elas diferentes e com percursos de vida únicos. E é esta riqueza de experiências, esta miscelânea de gente e gentes, que contribui para o meu crescimento, muito mais que académico, pessoal.
Do lado de lá da secretária já se sentaram tantas pessoas, cada uma com o seu acervo de histórias, tão ricas quanto possível. A maioria delas, talvez pelo fado que nos é característico, tem um enredo saturnino e mostra, muitas vezes, um lado menos bonito. Contudo, neste estágio cruzei-me com um conjunto de vidas tão diverso, tão eclético, que por vezes senti dificuldade em dar resposta à montanha-russa de emoções com que me deparava num só dia. Sorri perante vidas acabadas de nascer; fiquei enternecido com outras, igualmente novas de espírito, mas longas na soma das décadas; vezes houve, também, em que fiquei chocado.
Do lado de cá da secretária senta-se, também, uma vida com algumas histórias e muitas incertezas. Esta pessoa que os utentes vêem é diferente daquela que encontraram nas primeiras semanas de estágio e está irreconhecível quando comparada com a que entrou para o curso de Enfermagem há uns anos atrás. O contacto com tantas histórias fez-me amadurecer e deixei, forçosamente, de ver as coisas a preto e branco. Tive de aprender a conviver com a incerteza, a contemplar as áreas mais cinzentas da vida. Ao ímpeto da adolescência seguiu-se uma maior maturidade e, hoje, o que me parecia absoluto ficou completamente oprimido pela esmagadora relatividade das vidas que fui observando.
Como é que se lida com tamanha roda-viva de pessoas, ideias e hábitos? Não sei explicar ao certo… Ao longo da minha aprendizagem, tive de reanalisar a minha postura, as minhas ideias, até mesmo, alguns preconceitos.
Considero que o mais importante de tudo foi dar oportunidade aos utentes de partilhar o seu saber, a sua experiência, as suas vidas. Os verbos “explicar”, “informar” e “orientar” deram primazia ao “ouvir” e a relação com estes ganhou uma nova dimensão. Certamente, existem lacunas por colmatar, até porque, a relação com os utentes não se dá maquinalmente e cada nova vida com que me deparo é uma nova história que começa.
Do lado de lá da secretária já se sentaram tantas pessoas, cada uma com o seu acervo de histórias, tão ricas quanto possível. A maioria delas, talvez pelo fado que nos é característico, tem um enredo saturnino e mostra, muitas vezes, um lado menos bonito. Contudo, neste estágio cruzei-me com um conjunto de vidas tão diverso, tão eclético, que por vezes senti dificuldade em dar resposta à montanha-russa de emoções com que me deparava num só dia. Sorri perante vidas acabadas de nascer; fiquei enternecido com outras, igualmente novas de espírito, mas longas na soma das décadas; vezes houve, também, em que fiquei chocado.
Do lado de cá da secretária senta-se, também, uma vida com algumas histórias e muitas incertezas. Esta pessoa que os utentes vêem é diferente daquela que encontraram nas primeiras semanas de estágio e está irreconhecível quando comparada com a que entrou para o curso de Enfermagem há uns anos atrás. O contacto com tantas histórias fez-me amadurecer e deixei, forçosamente, de ver as coisas a preto e branco. Tive de aprender a conviver com a incerteza, a contemplar as áreas mais cinzentas da vida. Ao ímpeto da adolescência seguiu-se uma maior maturidade e, hoje, o que me parecia absoluto ficou completamente oprimido pela esmagadora relatividade das vidas que fui observando.
Como é que se lida com tamanha roda-viva de pessoas, ideias e hábitos? Não sei explicar ao certo… Ao longo da minha aprendizagem, tive de reanalisar a minha postura, as minhas ideias, até mesmo, alguns preconceitos.
Considero que o mais importante de tudo foi dar oportunidade aos utentes de partilhar o seu saber, a sua experiência, as suas vidas. Os verbos “explicar”, “informar” e “orientar” deram primazia ao “ouvir” e a relação com estes ganhou uma nova dimensão. Certamente, existem lacunas por colmatar, até porque, a relação com os utentes não se dá maquinalmente e cada nova vida com que me deparo é uma nova história que começa.

Sem palavras migo....
ResponderEliminarExistem profissões que são exercidas por vocação. Aqueles que a ela se dedicam, tem que sentir no seu interior um chamado especial, pois exigirá uma dedicação total, um total espírito de renúncia, um eterno despojar da sua vontade pessoal. Sempre exigirá daquele que a exercer, uma disposição para o que para muitos poderá ser considerado enorme sacrifício, mas que para eles será apenas a sua realização pessoal, pois estarão apenas cumprindo uma missão que receberam de Alguém lá de cima. Uma dessas profissões, e sem dúvida a mais sacrificante, é a ENFERMAGEM. Não é à toa que enfermeiras e enfermeiros são conhecidos como “os anjos dos corredores”. E há que se notar que seu trabalho é quase anónimo. Poucos utentes que tiveram as suas vidas salvas por uma acção rápida e eficiente, irão se lembrar mais tarde do nome desse “anjo” que o salvou. Mas não é isso que conta, mas sim, a satisfação de seu dever cumprido. São responsáveis quase directos pela vida daqueles que estão sob os seus cuidados. Da sua eficiência e competência, e mais ainda, de seu senso de dever, dependem muitas vidas. Basta um pequeno descuido, uma desatenção qualquer, e uma vida poderá ser perdida. Por essa razão, a enfermagem pode ser considerada como um sacerdócio, exigindo uma vocação natural para o sacrifício. Quando de plantão, esquecem-se de suas famílias e lares, vivendo apenas para o bem estar dos utentes. Quando no regresso do seu lar, quantas vezes são chamados para socorrer algum vizinho, ou para ajudar em algum acidente. E sempre estão dispostos para largar tudo e acudir quem deles estiver necessitando. Por vezes auxiliam os médicos em seu diagnóstico, pois mercê de seu contacto constante com os utentes, chegam a conhecer melhor as suas reacções do que os médicos, mas tem que ter muita sensibilidade para “dar seus palpites”, para não ferir a susceptibilidade dos doutores, que sempre sabem escutar a opinião da sua equipe de confiança. O médico sabe que o critério na composição da sua equipe vai ser responsável por grande parcela de êxito profissional, principalmente os cirurgiões. Daí, pode se avaliar a grande responsabilidade que sempre irá recair sobre a equipe de enfermagem. Uma recomendação a todos aqueles que querem se dedicar a esta profissão. Examinem bem sua consciência, e vejam se estão dispostos a encarar essa pedreira. Descubram em seu interior se está bem acesa essa chama que nunca poderá se apagar. Mas, dentro desse espírito amadoristico, não poderão deixar de ser profissionais, pois um envolvimento maior com os utentes, poderá causar-lhes muitos sofrimentos em alguns casos fatais. A vocês, queridos enfermeiros e enfermeiras, autênticos “anjos dos corredores”, dedico um cumprimento especial, e, juntando as mãos, inicio um demorado aplauso, esperando que vocês encontrem sua felicidade e realização pessoal. Parabéns a vocês, que, como eu, se dedicam a tão nobre missão. Precisamos dar mais valor e ter um melhor reconhecimento para esses valorosos profissionais, que sempre terão um espírito muito amador, e a eles e elas, e a todos nós, desejo um futuro promissor!
ResponderEliminarSabes migo...acho que nada acontece por acaso...
Recordo-me hoje com uma lágrima gorda a escorregar pela minha face todos os momentos que partilhá-mos. Rimos tantos, fizemos brincadeirinhas de "pimentão" e "pimentinha", demos o ombro amigo em momentos menos bons e secámos lágrimas. Foi tudo tão bom...que saudades...Agora o céu é o limite! Lembras-te? :)
Mas agora já penssaste? Somos enfermeiros! Tanta luta, horas sem dormir...suor derramado...e agora? que fazer? Cabe-nos a nós construirmos a ponte...a calçada da vida...o nosso percurso...Será que o céu é mesmo o limite? Fica a questão.
Beijo com muito carinho